Gastronomia por Roberta Sudbrack
10/07/2006 ..
Geladeira, a missão!
Então, temos: manteiga de boa qualidade, creme de leite fresco, tomate, limão, salsa fresca e parmeggiano? E na dispensa tem spaghetti ou tagliatelle? Se a resposta foi afirmativa, apertem os cintos que vamos decolar!
Com a ajuda de um ralador ou zester, tire casquinhas do limão (tanto faz ser o galego ou siciliano);
Coloque 500ml de creme de leite fresco em uma panelinha, abra o mesmo limão e esprema todo o líquido no creme de leite;
Coloque a panela em fogo baixo para ferver e encorpar por uns 3 minutos;
Retire a panela do fogo e tempere com sal e pimenta do reino moída na hora (sempre moída na hora! Depois ainda vamos falar muito sobre isso!);
Lave a salsinha e seque muito bem, se possível com a ajuda de um secador de folhas ou papel toalha. É sempre importante secar as ervas antes de cortá-las;
Corte a salsinha em pedacinhos bem pequenos, “batidos”, como a gente chama na cozinha;
Retire a pele do tomate com a ajuda de um descascador de legumes, ou de uma faca bem afiada. Retire também as sementes e o miolo. Corte os tomates em pequenos cubinhos.
Rale o parmeggiano. Faz toda a diferença ralar um queijo sensacional como esse o mais próximo da hora de servir o prato. Podem acreditar, são detalhes que fazem toda a diferença;
Cozinhe a massa em água fervente com uma pitada de sal, mas sem óleo ou azeite! Colocar óleo ou azeite na água do cozimento da massa não ajuda em nada e na verdade só dificulta a aderência do molho;
Escorra a massa, misture com o creme de limão. Acrescente os tomates em cubinhos, as rapinhas de limão e a salsinha por cima. E finalmente um pouco de parmiggiano reggiano recém ralado!
Respire bem fundo, feche os olhos e sorria.
Até amanhã!
08/07/2006 ..
A geladeira
Falemos de sua geladeira, esse item tão íntimo e importante em nossas vidas. Você acha que se chegar em casa cansado e morto de preguiça de sair para comer fora, ela vai te acolher adequadamente ou te deixar na mão? Você já se fez essa pergunta antes?
Uma geladeira básica que serve tanto para os solteiros de ocasião ou de convicção, casais urbanos, jovens descolados, chefs cansados e a quem mais se interessar possa, deve conter pelo menos os seguintes itens:
1) manteiga de boa qualidade.
2) queijo parmeggiano reggiano
3) creme de leite fresco
4) limão (galego ou siciliano)
5) salsa fresca
6) tomate
Quando terminarem as compras, me avisem, ok? No próximo post vou dizer o que fazer com esses ingredientes...
Aguardem, tenho certeza que vocês vão gostar de comer na minha mão!
07/07/2006 ..
Quando e inverno chegar...
Se você estiver passeando nesses dias ensolarados de inverno pelos lados da Barra da Tijuca, faça um desvio e vá até o Itanhagá! Lá tem um lugar que é um paraíso, a chácara Tropical (rua Dom Rosalvo da Costa Rego 420 – em frente ao Itanhangá Golf Club). É ideal para comprar plantas e sementes!
Vocês já pensaram em fazer uma pequena horta com ervas frescas em casa? Além de ser uma curtição, é incrível a sensação de colher uma erva fresquinha para temperar a comida que estamos preparando. É uma viagem, uma experiência em vários sentidos, passando pelo toque, o olfato e as texturas.
Meu amigo e jardineiro Ricardo Ferreira adora comprar as minhas mudas lá, tanto para o jardim do restaurante, quanto para a nossa pequena horta de ervas frescas. É, eu tenho uma!!! Se quiserem dicas para fazer uma em casa posso providenciar.
Outro dia ele me levou até lá para me apresentar ao seu paraíso e eu acabei descobrindo outro paraíso: lá também tem um bistrô (tel: 2493-0394 ou 2495-8065) muito bacana, com comidinha caseira – tem coisa melhor? – e donos absolutamente maravilhosos, que te recebem literalmente como se você estivesse na casa deles.
Tem um detalhe fascinante (eu sou fascinada por detalhes)! Se você não estiver com tempo para almoçar e quiser apenas tomar um café, (um simples cafezinho, mas coado em coador de pano), eles sempre te oferecem um lindo pedaço de bolo do dia. Tem dia que é bolo de chocolate ou bolo de laranja, ou “bolo-bolo”, sabe aquele bolo que a rigor não é de nada, é bolo e pronto? Aquele que tem gostinho de casa de avó? E o mais interessante disso é o seguinte: você paga pelo cafezinho, mas o bolo é uma cortesia. Um detalhe.
A vida precisa de detalhes!
06/07/2006 ..
Simples e bom

Eu sempre defendo e acredito que o melhor está no simples. Em tudo, na vida e na cozinha, essa foto aí é a vida real dentro da minha cozinha de madrugada.
Quando eu chego em casa no limite da exaustão, as energias são rapidamente restabelecidas pela alegria retumbante do meu cachorro Frederico, e depois nessa ordem, por um banho morno, um suculento misto quente – com presunto e queijo gruyère fatiados bem fininhos e um toddynho gelado (se quiserem a receita do misto quente perfeito posso disponibilizar aqui com prazer).
Pernas para cima, cabeça recostada, corpo finalmente parado, e as imagens do dia passam como filme... Recebi esta semana da minha fornecedora de legumes orgânicos, um ingrediente que me deixou totalmente fascinada. Por quê? Porque é singelo, é saboroso, é verdadeiro, é simples e brasileiro: Um milho!
Esse ela convencionou chamar de “milho doce”, uma pérola.
O toque, o olfato, as sensações transportadas para a mente, gosto, textura, temperatura... e a receita saiu, na mesma hora. Ingrediente bom é assim: inspira! Facilita a vida da gente.
A receita que nasceu daquele momento é o pargo em compota de milho doce.
Depois a gente fala mais sobre isso, hoje vamos servir outra vez no restaurante.
05/07/2006 ..
Para torcer pela seleção de Felipão
Pois é, não deu dessa vez!
Estamos bem passados com essa derrota para a França na Copa, queríamos tanto a revanche... E ainda não foi dessa vez.
Mas o mundo gira e não é a só a bola que dá voltas não... A gente ainda chega lá! Claro, se for com garra, determinação e atitude, três coisas imprescindíveis em uma competição como essas! E na cozinha é assim também, são esses três elementos que movem uma brigada e determinam o nosso placar no final da noite!
Enquanto isso o melhor que temos a fazer é esquecer – pelo menos por enquanto - e aproveitar a vida!
Uma idéia que me veio foi a de preparar uma bela receita de bacalhau nesta quarta-feira para embalar Portugal no jogo contra a França! E quem sabe abrir no final aquele champagne para comemorar...
Aí vai a receita clássica da minha família:
Bacalhau da minha vó (receita para 8 pessoas)
Por Roberta Sudbrack
Ingredientes:
· 1 kg e meio de lombo de bacalhau
· Leite o suficiente para cobrir o bacalhau
· ½ litro de azeite de oliva extra-virgem
· 4 cebolas em fatias finas
· ½ cálice de vinho do Porto Branco
· 100 g de azeitonas portuguesas inteiras
· Salsa finamente picada
· 6 pães franceses em fatias
· 1 colher de sopa de farinha de rosca
Modo de preparo:
Coloque o bacalhau de molho em água por 48 horas, de preferência na geladeira, tomando cuidado para que fique sempre na mesma temperatura. Passadas as 48 horas, retire da água, coloque em uma panela e cubra com o leite. Leve ao fogo até levantar fervura. Desligue e deixe o bacalhau repousar no leite por 2 horas.
Retire a pele e desfie em lascas grandes.
Em uma frigideira coloque um pouco de azeite de oliva e refogue ligeiramente as lascas de bacalhau aos poucos, cuidando para não ressecar. Sempre que necessário acrescente um pouco mais de azeite de oliva.
Doure as cebolas em 4 colheres de sopa de azeite de oliva e quando estiverem bem macias acrescente o vinho do Porto e espere evaporar e caramelizar ligeiramente.
Montagem:
Em um recipiente refratário coloque um pouco de bacalhau, fatias de cebola, algumas azeitonas e a salsa picada a gosto. Repita esta operação mais uma vez. No final de cada camada regue sempre com um fio de azeite de oliva.
Em volta do refratário arrume as fatias de pão lado a lado e regue com azeite de oliva por cima.
Polvilhe ligeiramente o bacalhau com farinha de rosca e leve ao forno pré-aquecido a 180º, coberto com papel-alumínio, por 15 minutos. Retire o papel e deixe dourar ligeiramente. Sirva logo.
03/07/2006 ..
Nosso começo
Então, aqui estou eu nesse site bacana toda prosa, orgulhosa!
Fazer parte desse timão enobrece mesmo o nosso ego (acho que todos já disseram isso!) e como todo mundo costuma dizer que ego de chef é “eeeeenorme”, o convite para colaborar com essa língua eletrônica foi de lamber os beiços.
É verdade nós (os chefs) somos um pouco temperamentais demais, um pouco vaidosos demais, um pouco ditadores demais, apegados às nossas receitas – afinal trocar batatinhas por saladinhas pode não ser tão inofensivo assim. Somos assim, o que fazer?
Digamos, para empatar essa história que, afinal, nossa obsessão é mexer com todos os seus sentidos. Vivemos em busca do momento perfeito. Nossa vida é dedicada ao prazer, o seu e o nosso. Trabalhamos muito para isso e o nosso pode estar no calor das temperaturas altíssimas dos nossos fogões, nas madrugadas agitadas, na pressão acima de qualquer limite, na adrenalina de um dia de trabalho, no cantar do pão quando sai do forno...
A gente adora tudo isso e adora inventar moda também! Então vamos nos divertir muito por aqui trocando, aprendendo, estimulando e batendo panelas com toda a liberdade, porque liberdade é imprescindível para a criação.
A partir de agora relaxe e venha comer na minha mão!
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